Zé Pedro: «Acredito no paraíso»


Pedro Correia,

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«Tenho um grande fascínio pelo Keith Richards. É o meu guitarrista-herói»

 

Lembro-me bem de conversar com ele: revelou-se tímido, com humor discreto, sem sombra de arrogância. Revisitando esta entrevista feita a Zé Pedro – fundador em 1979 dos Xutos & Pontapés – comovo-me com certos trechos. Como aqueles em que nos fala do maior sonho e do maior pesadelo. Outros fazem-me sorrir, incluindo as alusões aos Stones, paixão de sempre. O guitarrista da mais popular banda portuguesa da sua geração faleceu em 30 de Novembro de 2017, ainda com tantas metas por cumprir.

 

Tem medo de quê?

Tenho medo de uma doença prolongada.

Gostaria de viver num hotel?

A minha vida passa muito por hotéis. Acho até que passo mais tempo em hotéis do que em casa. Não tenho nada contra.

A sua bebida preferida?

Hoje em dia, água. Sobretudo Água das Pedras. Levíssima.

Que número calça?

42.

Que livro anda a ler?

Acabei de lei a biografia do Slash [guitarrista]. Vou começar agora a ler um livro sobre os Rolling Stones que me trouxeram: Exile on Main Street.

Tem muitos livros à cabeceira?

Bastantes. Muito mais de música do que de qualquer outro género. Quando tenho as minhas pausas musicais leio sempre umas coisas que me agradam.

A sua personagem de ficção favorita?

Talvez o Corto Maltese. Houve uma altura em que consumia muita banda desenhada e ainda hoje sou fã das aventuras dele.

Rir é o melhor remédio?

É. De certeza absoluta.

Lembra-se da última vez em que chorou?

Costumo comover-me e gosto que isso aconteça. Acho que é saudável. A última vez que chorei foi há dias, ao ver o filme O Estranho Caso de Benjamin Button.

Gosta mais de conduzir ou de ser conduzido?

Gosto tanto de uma coisa como de outra.

É bom transgredir os limites?

Convém conseguirmos conservar os pés no chão embora seja bom levantá-los de vez em quando.

Qual é o seu prato favorito?

Já houve um tempo em que era arroz de pato. Hoje gosto bastante mais de peixe. Talvez um bom pregado grelhado…

Qual é o pecado capital pratica com mais frequência?

É a gula. A minha atracção pelos doces é um verdadeiro pecado.

A sua cor preferida?

É o preto. Não só por causa dos Xutos mas também pela Académica – o meu primeiro clube. O Benfica é o segundo.

Costuma cantar no duche?

Não sou muito de cantar no duche. Às vezes trauteio…

E a música da sua vida?

Há muitas. Pode ser, por exemplo, Sympathy for the Devil [dos Rolling Stones]. Para mim é como se fosse música sagrada.

Sugere alguma alteração ao hino nacional?

A gente já se habituou ao hino. Se houvesse um novo, levaria vários anos até o aprendermos. Não vale a pena mudar.

Com que figura pública gostaria de jantar esta noite?

Tenho um grande fascínio pelo Keith Richards. É o meu guitarrista-herói. Só não sei se estaria muito à vontade a jantar com ele…

As aparências iludem?

Iludem. Muito.

Qual é a peça de vestuário que prefere?

Um bom casaco, nesta altura do ano, dá sempre jeito.

Qual é o seu maior sonho?

Gostaria muito de ter um filho ainda este ano. Estou preparado para isso.

E o maior pesadelo?

A doença é sempre um pesadelo enorme.

O que o irrita profundamente?

A arrogância.

Qual a melhor forma de relaxar?

Talvez ouvir música.

O que faria se fosse milionário?

Já sou milionário. O meu coração dá-me a vida saudável que tenho.

Casamentos gay: de acordo?

Não sou nada contra, antes pelo contrário.

Uma mulher bonita?

A Carla Bruni é uma figuraça.

Acredita no paraíso?

Acredito.

Tem um lema?

Ser honesto.

 

Entrevista publicada no Diário de Notícias (24 de Janeiro de 2009)

3 comentários em “Zé Pedro: «Acredito no paraíso»”

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